sábado, 23 de julho de 2011

Eu NÃO Vi – Festival de Inverno de Garanhuns 2011


Bem, depois de tudo certo para passar uma noite na cidade do frio, deu zebra de última hora e restou-me acompanhar o que foi possível através da internet.

Assim, disponibilizo os áudios que consegui extrair da transmissão realizada pela Rádio Marano.

1. Gal Costa (16/07/11) – Praticamente o mesmo show realizado na edição 2010 do evento, com exceção da canção ‘Baby’ (a pedidos do público). Acompanhada do violão de Luiz Meira, a apresentação sem surpresas vale mais pela constatação da vitalidade da Voz de Cristal. E que venha seu álbum de inéditas.

Clique aqui para baixar o show de Gal Costa

2. Marina Lima (17/07/11) – O show surpreendeu pelo fato de ter apenas duas canções do ótimo Clímax no repertório. Destaque para ‘Lex’ e o novo arranjo de ‘Mesmo Que Seja Eu’. Uma apresentação muito bonita, mostrando uma Marina que não é mais a mesma de anos atrás, mas que está se adaptando muito bem ao novo cenário.

Clique aqui para baixar o show de Marina Lima

3. Roberta Sá (20/07/11) – A artista premiada chega ao palco do Festival de Inverno de Garanhuns com uma proposta diferente dos demais artistas. Ao invés de uma mescla de grandes sucessos, Roberta trouxe o show do ‘Quando o Canto é Reza’, seu trabalho atual. Apresentação exata e irretocável, capaz de emocionar quem estava no local e quem estava distante. Obs.: A transmissão só não ficou perfeita, pois durante TODA a faixa ‘Xirê’ entrou uma entrevista ao vivo com Margareth Menezes. Aguardamos o castigo dos orixás.

Clique aqui para baixar o show de Roberta Sá

4. Luiza Possi (21/07/11) – A galega trouxe ao palco da Esplanada Guadalajara um show semelhante ao que ela apresentou recentemente no Chevrolet Hall. Uma mistura de sucessos com nova roupagem e algumas canções do seu novo DVD pertinho de lançar, o ‘Seguir Cantando’. Destaque para a citação da canção ‘As Ayabás’ de Gilberto Gil e Caetano Veloso no Pout-Pourri com ‘Gandaia das Ondas’, ‘Pedra e Areia’ e ‘Yemanjá’.

Clique aqui para baixar o show de Luiza Possi

OBS: Fotos retiradas do Flickr da Fundarpe

terça-feira, 7 de junho de 2011

Eu Vi – A inebriante Febre do Angu Coletivo de Teatro





Pleno sábado à noite e o desejo de ver algo no teatro. Corri para os sites, procurando informações e percebo que está em cartaz um espetáculo com a Hermila Guedes. Ao buscar mais informações, descubro que é uma produção do Coletivo Angu de Teatro. Pronto! Escolhido.

Admito que tinha uma mágoa pessoal por não ter assistido os espetáculos ‘Angu de Sangue’ e ‘Ópera’. Uma boa oportunidade de conferir o trabalho dessa equipe que tem mexido tanto com a cena pernambucana.

O Teatro Hermilo Borba Filho traz o tom intimista fundamental para a peça, dando aquela impressão de que participamos das histórias contadas. E por falar no texto... Que maravilhosa surpresa as palavras trazidas por Luce Pereira. Arrebatador! A cada seqüência, uma significação, um aprendizado.

Outro ponto forte são as atuações. Lógico que de cara o nome da global Hermila Guedes salta aos nossos olhos. Mas completamente injusto chamar de ‘a peça da Hermila’. Percebe-se um banho de interpretação de atrizes que usam e abusam do mais íntimo sentimento feminino, atrizes maravilhosas, que não tem medo de se despir (literalmente, inclusive!) e merecem seus nomes citados: Ceronha Pontes, Hilda Torres, Márcia Cruz, Mayra Waquim e Nínive Caldas. Palmas!

Um trabalho bem cuidado, onde direção, iluminação, trilha sonora, cenário, figurino, entre tudo mais, são um espetáculo a parte. Não sei se febre pega, mas garanto que esta sim, contagia.

Obs: De acordo com o programa, a peça vai passar por mais três capitais nordestinas. João Pessoa, Natal e Salvador estão no roteiro. Fiquem de olho!

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Peça: Essa febre que não passa

Direção: André Brasileiro e Marcondes Lima

Elenco: Ceronha Pontes, Hermila Guedes, Hilda Torres, Márcia Cruz, Mayara Waquim e Nínive Caldas

Duração: Em cartaz até o dia 19 de junho

Horário - Sábados, as 19h e as 21h, e domingos, as 18h e as 20h

Teatro Hermilo Borba Filho - Av. Cais do Apolo, Bairro do Recife, Recife

Ingressos - R$ 20 e R$ 10 (meia)

Contato - 3355.3321

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Canções que valem uma história - Um coração calado



Um coração calado


Amara era definitivamente uma moça perversa. Uma perversão tão grande, que surgia quase que automaticamente. E qual não foi a surpresa da mesma ao perceber que o trêmulo João estava derretidinho por ela... João não era um típico galã de novela. Bem pelo contrário, seus atributos físicos não eram os mais belos. Um sujeito esguio, com um guarda-roupa altamente previsível, calças de cores sóbrias e camisas com estampa xadrez. O cabelo sempre impecavelmente alisado no gel e o que mais chamava atenção para sua figura: um senhor óculos fundo de garrafa mesmo, mas tão fundo que chegava a desesperar quem visse. Em um contexto todo, João não era um sujeito feio; mas era como uma bolacha de água e sal... Por que bolacha de água e sal? Ora bolas, quem em sã consciência vai escolher a bendita bolacha tendo tantas outras opções para degustar...

E Amara, ao perceber que esta bolacha, digo, este rapaz estava louquinho da Silva por ela, não pode deixar de se animar. Pelo cortejo? Claro que não. Pela possibilidade de tripudiar de alguém. Acho que isso nem Freud explica... Ela era tão boa nisso, que descobriu facilmente como fazer para judiar do seu pretendente: a música!

João tinha um respeito quase religioso para com a música. Seu violão era seu principal e melhor companheiro. Mas não, João não usava a música como um modo exibicionista; mas puramente como um refúgio, como uma entrega de si mesmo às canções. Por isso mesmo ninguém nunca o viu tocar o mínimo acorde publicamente. Tinha vergonha de expor sua arte. Não se achava ruim no que fazia, mas colocar para terceiros verem suas leituras de músicas... não! As composições, então... nem falar!

Amara já tinha tudo esquematizado, convidaria o pobre João para tomar um lanche. Não, ela não poderia simplesmente convidá-lo. Seria óbvio demais. Por que não fazê-lo acreditar na força do destino juntando duas almas apaixonadas? E assim foi: esperou ele sair da biblioteca, todo atrapalhado como sempre, com seu violão de um lado e alguns livros equilibrados no outro braço. Esse era o momento certo para o maior clichê dos encontros casuais. Amara esbarrou em João, levando seus livros ao chão. Simulou um pequeno desespero ao ajudá-lo a reorganizar a bagunça e aproveitou para com isso puxar assunto. Até porque puxar assunto teria de partir dela mesmo, pois o coitado só conseguiu trocar umas cinco ou sei palavras.

Aproveitando para pedir desculpas pelo ocorrido, Amara se dispôs a tomar um refrigerante com João. Ali próximo mesmo, na pracinha que ficava logo em frente. João, suando mais do que maratonista em plena São Silvestre, aceitou. E Amara, cheia de si, começou a conversar com João. Perguntou qual era o tipo de música que o João mais gostava, já que ele sempre andava com o seu violão. E ouviu timidamente que era a bossa-nova. Em tempo para a primeira alfinetada:

- Ai, aquela musiquinha arrastada... Bom para dormir!

E então veio o golpe principal. Pediu para João cantar algo. Após uma sessão quase interminável de uma tosse nervosa, João relutou bastante para evitar se abrir daquela forma. Mas Amara era determinada, já estava retirando seu violão da capa e exigindo uma música apenas, curtinha mesmo; mas que ele fosse educado e cantasse para ela ver.

João pegou o violão, estava um camarão de tão vermelho. Amara tentava esconder a maldade dos seus olhos. Estava se divertindo horrores com aquela cena. Sutilmente começa a dedilhar algumas notas, num som quase inaudível. E abriu a boca.

Sua voz saiu sofrida para entoar alguns versos. Era o que Amara queria. O suficiente para magoar sem as palavras, bastou franzir um pouco a testa e fazer aquela cara de “o que é isso?”... João percebeu e apressou-se um pouco mais para terminar logo a canção. O tempo exato de se livrar de tal situação constrangedora. Agradeceu o refrigerante, jogou umas duas desculpas esfarrapadas e se foi; certo de que jamais teria coragem de chegar perto de Amara novamente, a gosto ou a contra-gosto.

Vitória. Um pequeno sorriso se faz na face de Amara. O que ela ganhou? Apenas o prazer de ter seu desejo realizado... e ficou ali, observando João sumir pelas ruas e pensando...E nesse momento seu sorriso começava a se desfazer. Na sua mente só ficava uma coisa, o som agradável dos acordes serenos de um violão. Sim, gostava da calma da bossa-nova, mas agora era tarde.

(21/01/11 – 02h00)

Conto baseado na canção "Desafinado" - Autores:Tom Jobim / Newton Mendonça





PROJETO: Canções que valem uma história

Há tempos queria reavivar meu blog, mas buscava uma idéia legal e amadurecê-la para isso. Assim, inicio o projeto (série): Canções que valem uma história.

O projeto tem como objetivo revelar uma possibilidade narrativa em canções conhecidas (às vezes nem tanto!). Quem nunca imaginou uma historinha nas entrelinhas de uma canção?

Pois bem, estas são as (curtas) histórias que eu imagino. Narrativas as mais diversas baseadas em canções.

Admito que não é um projeto inédito. Essa idéia floriu a partir do início da leitura de “Esta história está diferente”, organizado pelo Ronaldo Bressane. O livro conta com uma verdadeira constelação de autores nacionais e internacionais, cercados pelas músicas de Chico Buarque. Ainda não concluí todos os contos, mas é fenomenal. E qual não foi a surpresa ao perceber que a Globo lançou uma genial série com a mesma linha: “Amor em 4 Atos”.

O objetivo não é limitar meus olhares apenas a obra de Chico Buarque, mas expandir a outras músicas que dêem para contar uma boa história. E para isso, conto com a ajuda de vocês, ok! Sugestões sempre serão bem vindas =)